"Barro nas mãos de Deus é vaso"

de Carlos Eduardo Félix

 

Ao ler a passagem hoje a noite, ainda escutei as vozes soando a seu respeito. Senti o calor da fogueira acesa para espantar o frio daquela noite. Vi nos olhos de alguns curiosos a questão “o que vão fazer com esse que se diz o Cristo?”



 

Nos olhos de Pedro há dúvidas, medo e um pouco de coragem. O frio é tão intenso que o apóstolo decide se juntar aos outros e se aquecer também.

Mãos perto do fogo e coração mais perto da covardia. Corpo aquecido. Seu espírito se aproximando do caminho frio da negação.

Três perguntas:

  • Tu não estavas com ele?
  • Você não é um deles?
  • Tu não és também galileu?

Três respostas:

  • Não o conheço!
  • Não sou!
  • Não conheço esse homem!

O galo canta.

Jesus olha nos olhos de Pedro. Ele acabara de negar o seu mestre, seu Senhor, seu amigo e seu irmão. E ele sabe.

Pedro, cujo nome tem por tradução “pedra”, agora é Pedro o pó.

E palavra nenhuma explicaria o que ele estava sentindo naquela hora.

Ele chorou amargamente. O coração de Pedro andou por uma névoa fria chamada negação. Todos negaram, mas Pedro foi o que mais sentiu.

O coração de Pedro era agora aquecido por tristeza, desânimo, dor e vergonha.

Pedro pó. Pó molhado pelas lágrimas da negação.

Mas, pó molhado é barro.
E barro nas mãos de Deus é vaso.
E todo vaso é útil quando moldado pelo Senhor.

 

Copyright © 2003 Carlos Eduardo Félix. Todos os direitos reservados. Texto extraído da obra escrito por Carlos Eduardo Felix a ser publicado por Scriptus Editorial. Utilizado com permissão.