O Adorno da Compaixão

de Jacqueline Foster Bost

 

Quando uma noiva começa a planejar sua cerimônia de casamento, ela considera com muito cuidado como vai ser o seu vestido e quais enfeites que usará. A moça pensa se vai usar véu, se colocará flores no cabelo, o que levará nas mãos, se usará luvas, qual tipo de sapatos calçará. Todos estes acessórios, ou enfeites, ou adornos, são importantes para completar a beleza dela naquele dia único na sua vida. Sem os adornos, a beleza da noiva ficaria incompleta.



 

A compaixão serve de adorno em termos de beleza espiritual. A compaixão é um pesar que nos desperta para a dor de outros, é comiseração. A compaixão bíblica nos faz dar um passo a mais: é uma atitude ou sentimento, para com alguém que nos motiva a uma ação. É uma generosidade de espírito que resulta em ajuda ao necessitado.

I. Esta compaixão pode ser vista com mais nitidez na vida de Jesus. Ele teve compaixão em muitas circunstâncias diferentes que servem de modelo para as nossas próprias vidas.

  1. Necessidades materiais (Mt 15.32). Jesus teve compaixão no caso das necessidades físicas (neste caso, a fome). Ele sentiu esta necessidade do povo que estava sem comer há três dias, e providenciou alimentação para suprir essa necessidade.

  2. Doença física (Mc 1.41,42). Jesus ficou profundamente compadecido vendo um homem doente de lepra e o curou.

  3. Doença do espírito (Mc 5.2-20). Jesus viu o sofrimento do homem que estava dominado por espíritos imundos e o restaurou ao juízo perfeito. O versículo 19 nos explica que Jesus fez isto porque teve compaixão.

  4. Necessidades espirituais (Mc 6.34). Jesus enxergou a grande multidão em termos espirituais e viu que eram como ovelhas sem pastor. Eles não tinham alguém que pudesse mostrar-lhes o caminho. Por isso, Jesus compadeceu-se deles e passou a ensinar-lhes muitas coisas.

  5. Morte (Lc 7.11-15). Nesse dia Jesus encontrou uma situação realmente triste. Uma viúva estava indo enterrar o seu único filho que havia falecido. "Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores!" Naquela mesma hora, pelo poder de Deus, Jesus ressuscitou o jovem morto e o restituiu à mãe. A compaixão moveu Jesus a fazer um maravilhoso milagre.

  6. Tentações (Hb 4.15,16). O autor de Hebreus nos diz que o nosso sumo sacerdote (Jesus) pode compadecer-se das nossas fraquezas, porque ele mesmo passou por muitas tentações. Ele sabe o que sentimos e as dificuldades que passamos. Ele nos oferece graça para socorro em ocasião oportuna. Podemos observar que em cada uma dessas ocasiões Jesus sentiu a dor, o sofrimento, a necessidade das pessoas e então agiu para ajudá-las.

II. Nós devemos usar o adorno da compaixão em nossas vidas.

Em muitas das situações citadas, Jesus usou o seu poder de Filho de Deus para resolver os problemas das pessoas. Hoje em dia nós não temos este mesmo poder milagroso. Porém, todos nós temos capacidade para ajudar nosso próximo. Usar de compaixão bíblica para com pessoas significa que vamos sentir com elas o que estão passando e agir dentro das nossas possibilidades a fim de socorrê-las.

Em casos de necessidades materiais, nós podemos compartilhar os nossos bens materiais. Providenciar alimentos, roupas ou medicamentos é uma maneira de ajudar. Às vezes o melhor apoio é ajudar a pessoa a encontrar um emprego, pois esta é uma solução mais duradoura para o problema.

Quando alguém adoece numa família, há muitas maneiras em que podemos servir. É possível levar o doente no médico, providenciar alimentação para a família ou cuidar das crianças por algum tempo. Se a doença for prolongada, poderemos fazer uma limpeza na casa ou assumir outras responsabilidades provisoriamente. Sempre devemos continuar em oração a favor da pessoa doente.

A pessoa que tem uma doença emocional ou espiritual precisa de amor acima de tudo, aquele amor verdadeiro que "tudo espera, tudo crê, e tudo suporta" (1 Co 13.8). Nós cristãs temos a capacidade de oferecer este tipo de amor porque aprendemos a amar com Deus. "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4.19). Nós amamos sem esperar nada em troca. Portanto, podemos dar o apoio de que a pessoa precisa.

2 Coríntios 2:14As necessidades espirituais são supridas pela palavra de Deus. Mostramos Jesus como a nossa única esperança para uma vida abundante agora e uma vida eterna com Deus. Existem muitas oportunidades de compartilhar a nossa fé com aqueles que ainda não têm conhecimento da vontade de Deus. Ajudamos assim as pessoas com necessidades espirituais.

No caso de morte não temos o poder de restituir o falecido ao convívio da família, mas há muito que podemos fazer para facilitar os dias difíceis dos familiares. Talvez a maior ajuda nesta situação seja a nossa presença física. Um abraço, alguém sentado ao lado, uma demonstração sincera de emoção - qualquer uma dessas coisas transmitem para a família a idéia que eles não estão sozinhos. A nossa solidariedade oferece conforto numa hora em que as palavras são inadequadas. Além da nossa presença há muitos detalhes que têm de ser cuidados, bem como o lugar do enterro, o serviço funerário e as exigências legais.

Em cada situação a nossa compaixão nos leva a agir em benefício daqueles que estão necessitados. Se nos colocarmos (mentalmente) no lugar da pessoa, descobriremos o que podemos fazer para socorrê-la. Jesus disse: "Tudo quanto, pois quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas" (Mt 7.12). O adorno da compaixão é muito importante para a nossa beleza espiritual. Vamos nos lembrar que um dos fatores que o Senhor usará em nosso julgamento final será a nossa compaixão (ou falta de compaixão). Escutemos as palavras do Juiz:

"Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. ... sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."Mateus 25.34-36,40

 

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