O Gólgota Pode Ser Visto Com Outros Olhos

de Carlos Eduardo Felix

 

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões...” Isaías 53:5



 

O Gólgota não é um lugar que faz alguém sorrir toda vez que se passa por ele. Crianças não pedem para brincar lá. Famílias não fazem piqueniques naquele local. Programas infantis não são gravados e nem excursão escolar quer ir para o Gólgota.

Não há beleza naquela parte da cidade. Não se encontra cartão postal sendo vendido pelas ruas e nem turistas querendo fazer uma visita. Nunca nenhum artista fez uma música do tipo; “Cidade maravilhosa...”. Mas o que se vê é um lugar sombrio e cheio de pedras.

“Levando a sua própria cruz, ele saiu para o lugar chamado Caveira” (João 19:17). Foi assim que João descreveu aquele momento.

Aquele lugar tinha esse nome possivelmente por causa da sua aparência física que era igual à de um crânio humano.

Gólgota.

Faça seu último pedido, veja sua família pela última vez e guarde em sua mente seu sorriso. Fume seu último charuto, tome sua última xícara de café, veja pela última vez aquela foto inesquecível que você tirou com um amigo quando foram pescar. Sinta pela última vez o calor do sol brilhando em seu rosto e pela última vez beije sua filha e esposa, e não se esqueça de guardar dentro de você o brilho de seus olhos.

Era isso que significava aquele lugar para aqueles aos quais estava destinado ir - fim.

Jesus tinha deixado a carpintaria por aquele lugar. Deixou os momentos bons e divertidos junto com seus discípulos, a sopa quente e gostosa de Maria, a tranqüilidade de sua casa e acima de tudo deixou a presença de Deus no céu. Enquanto crianças brincavam nas ruas de Jerusalém, ele se dirigiu paro o local chamado caveira.

É possível encontrar beleza na morte?

Jesus não apenas morreu. Ele foi severamente castigado pelos soldados romanos. Um chicote que tinha em suas pontas metal e ossos capazes de retalhar completamente uma pessoa foi usado no corpo daquele simples carpinteiro.Uma coroa de espinhos foi empurrada em sua cabeça e bofetadas foram-lhes dadas.

É possível nascer uma linda flor neste local cheirando a sangue?
É possível pássaros encherem de alegria com seus cantos este lugar onde homens gritam de dor?
É possível encontrarmos algum milagre nesta cena de dor?

O calvário está diante de nossos olhos e quando paramos e observamos aquele local, o que vemos?

Um carpinteiro morto por se dizer que era o filho de Deus. Uma mulher chorando por ter perdido seu filho. Soldados romanos sedentos por sangue. Amigos que se escondem nos buracos mais escuros da cidade. E pessoas sorrindo por acharem que livraram o mundo de um louco.

O que você vê quando olha para o calvário?

Se você nunca olhou para aquele lugar onde aconteceu a morte do filho de Deus como um lugar de milagres, quero lhe convidar a ver o Gólgota com outros olhos - com os olhos de Jesus.

Pois onde você vê feridas, ele viu a cura de sua alma. Onde você vê dor, ele viu a graça. Onde você vê condenação, ele viu libertação. E por fim onde você vê morte, ele viu vida.

Jesus não foi para o Gólgota porque gostava, ele foi porque sabia que só dali ele poderia fazer o maior milagre – você.

 

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