De Cristo e os Espartanos

de Jim McGuiggan

 



 

Heródoto nos conta que o “Grande Rei”, o poderoso Xerxes, cruzou o Helesponto para entrar na Macedônia com mais de dois milhões de homens (incluindo sua marinha). Até que ele chegasse ao centro da Grécia, o mundo grego havia entrado num pânico controlado. Bem, quase todo mundo. Havia um punhado de exceções. Quando a horda invasora chegou a Termópilas, um estreito desfiladeiro que dava para a Grécia central, ela encontrou um pequeno bando. Sob a liderança de Leônidas algumas centenas de Espartanos bloquearam o progresso do Grande Rei. (A pequena força Espartana havia convencido os demais gregos que vieram com eles, os focenses e locrenses, a deixarem-nos lá).

Xerxes enviou alguns batedores para avaliarem a situação e eles voltaram com uma história que era verídica, porém bastante estranha. Os guerreiros – se era isso que eles realmente eram – estavam calmamente fazendo exercícios e, o mais estranho de tudo, fazendo grande caso de pentear seus longos cabelos. Foi dito que havia muitas risadas até que Demaratos, um médico grego que servia na coorte de Xerxes, assegurou a ele que o comportamento dos guerreiros não era de todo estranho – era parte de um ritual de morte. Estes homens estavam se preparando para morrer. Muitos homens espartanos casados haviam oferecidos seus serviços nesta missão, mas, foram rejeitados. Os guerreiros que faziam exercícios e penteavam seus cabelos estavam se preparando para enfrentar o hoste invasor que havia chegado, entre outras coisas, para vingar uma derrota anterior em Maratona.

Então veio uma onda após a outra dos “Imortais” (a tropa de choque dos Persas) contra os Espartanos. Todos foram “mortalizados”, e por três dias aquele bando feliz de companheiros segurou a horda invasora. Quanto um traidor grego mostrou aos invasores uma maneira de cercar os Espartanos, a luta finalmente chegou ao fim. Encurralados, receberam a oferta de continuar vivos e recusaram. O inimigo ameaçou derramar sobre eles uma chuva de flechas tão intensa que taparia o sol. O general Espartano, Diocenes, respondeu, “Então, lutaremos na sombra”. Eles foram dizimados e aquilo foi o fim do começo.

Aquela luta heróica não somente retardou os Persas por três dias, mas, galvanizou a Grécia para virar uma oposição inspirada. Antes que tudo terminou, Xerxes voltou para casa na Pérsia, onde procurou outra mulher – provavelmente para atar suas feridas. (Ele conseguiu Ester! Imagine.)

Há algumas coisas pelas quais vale a pena viver ou morrer. Assim pensou Jesus e assim pensam todos aqueles que, pela graça de Deus, vivem enquanto se preparam para morrer na guerra divina contra um hoste inimigo que devora a raça humana. Com uma felicidade solene e um senso de privilégio, eles vencem o inimigo pelo sangue do Cordeiro, a palavra do seu testemunho, e o fato de que eles não amam as suas vidas tanto, a ponto de se retraírem diante da morte.

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